sábado, 26 de novembro de 2011

Eu era um lobisomem juvenil

Acredito que essa música deva refletir todos os turbilhões de emoções que me pareciam tão evidentes em Renato Russo. Sem dúvida uma obra prima em forma de declaração de amor. Uma das coisas que me marcaram demais em suas músicas-opiniões-depoimento foi o incentivo a pensarmos o quanto a vida é curta e por isso devemos viver intensamente, caso contrário iremos deixar a outra metade de nós em conflitos duvidosos. Salve, renato!!!  

Eu era um Lobisomem Juvenil

Luz e sentido e palavra, palavra
É que o coração não pensa
Ontem faltou água
Anteontem faltou luz
Teve torcida gritando
Quando a luz voltou
Não falo como você fala
Mas vejo bem
O que você me diz...
Se o mundo é mesmo
Parecido com o que vejo
Prefiro acreditar
No mundo do meu jeito
E você estava
Esperando voar
Mas como chegar
Até as nuvens
Com os pés no chão...
O que sinto muitas vezes
Faz sentido e outras vezes
Não descubro um motivo
Que me explique porque é
Que não consigo ver sentido
No que sinto, que procuro
O que desejo e o que faz parte
Do meu mundo...
O arco-íris tem sete cores
E fui juiz supremo
Vai, vem embora, volta
Todos têm, todos têm
Suas próprias razões...
Qual foi a semente
Que você plantou?
Tudo acontece ao mesmo tempo
Nem eu mesmo sei direito
O que está acontecendo
E daí, de hoje em diante
Todo dia vai ser
O dia mais importante...
Se você quiser alguém
Prá ser só seu
É só não se esquecer
Eu estarei aqui...(2x)
Não digo nada
Espero o vendaval passar
Por enquanto eu não sei
O que você me falou
Me fez rir e pensar
Porque estou tão preocupado
Por estar
Tão preocupado assim...
Mesmo se eu cantasse
Todas as canções
Todas as canções
Todas as canções
Todas as canções do mundo
Sou bicho do mato...
Mas se você quiser alguém
Prá ser só seu
É só não se esquecer
Eu estarei aqui...{4x}
Ou então não terás jamais
A chave do meu coração...

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

UFPA = minha vaidade peculiar

Hoje saiu o resultado da unama, vi festas, gente suja, histeria rolando solta... Vi gente significando o que é uma emoção de vencer etapas e de sentir o sabor de uma missão cumprida. Para alguns se sentir na sala de aula de um curso superior significará dizer made in ensino médio, para outros representará apenas e grandiosamente estar lá.
            Essa festa, os gritos, o cheiro ruim da sujeira que só quem já foi calouro sabe, remeteu-me a minha própria lembrança de festa de vestibular. Lembrei-me da trajetória completa feita desde a ansiedade em esperar pelo resultado da universidade mais concorrida do estado do Pará: a UFPA, até os caminhos percorridos que me levaram, ou me trouxeram, até aqui: vésperas da defesa do minha dissertação pelo meu título de Mestre.
            A espera do listão já é coisa de louco, afinal ser um dos contemplados das 4.000 vagas, quando 42.000 concorrem por elas não é fácil, aliás não é para qualquer um. E ouvir seu nome, quase não ouvindo, escapando da boca do locutor, que se quer sabe de sua existência, definitivamente não tem preço. Uma vez lá dentro, experenciando as aulas dadas e as faltas históricas delas, nos tornam alunos de uma elite estudantil questionável sim, mas sempre forte diante de argumentos vazios partindo, em sua maior parte, de quem não conseguiu seu lugar no céu. Dos outros fatos, como número reduzido de bolsas; estrutura ainda por melhorar, como acontece em nossa própria casa; a exigência de horário noturno que não há nas secretarias dos cursos, como em todo órgão público, são detalhes frente à beleza, clima e cheiro bom e capacidade da grande concentração de professores-pesquisadores que estão ali e que lutam pelo desenvolvimento da Amazônia. Em quao outra instituição de ensino superior tem em horário nobre o "Minuto da Universidade" comprovando e divulgando as pesquisas desenvolvidas?
            Ah... e não posso esquecer um precioso detalhe: na minha Universidade tem uma cidade e um rio por onde eu adoro navegar. Lugar onde me criei intelectualmente, fiz fortes amizades, aprendi a ser corajosa e a me fortalecer ao entoar: Ih, foi mal, mas a minha é Federal!!!

E pra começar, eu só vou gostar de quem gosta de mim...

Quão grata me soou essa manifestação de amizade via e-mail:

“To chateado com o Thomas, Porra!! Como é que ele separa o Cris e o Greg na qualificação....rsrsrsr. Vou fazer o possível pra estar na tua apresentação. Vc tem se demonstrado uma pessoa muito companheira, tenho muito a te agradecer. Por isso eu digo: FORÇA A GENTE VAI CHEGAR LÁ!!!!! FALTAM POUCOS MESES PRA NÓS SERMOS MESTRE PORRA!!!!!!! Bj. Nélio”


            Aaahhh... uma mensagem dessa justo no momento que eu mais estou julgando, ou talvez subjugando, o que se trata ser amigo, é no mínimo motivadora. Essa semana toda passei atordoada com certos comportamentos e atitudes, que já haviam me deslocado de meu habitual autoisolamento. Não é a primeira vez que digo que sou observadora com os amigos, mas talvez seja a primeira que digo que creio que entre o “ser meu amigo” e “ter minha amizade” há uma diferença nada trivial.
            Não consigo subtrair como rotineiro, que hoje és meu amigo e depois, e mais uma vez, teu discurso vem e te coloca na esquerda para bater um escanteio que nunca vai ser cobrado e que talvez nunca existiu. Detesto, isso mesmo, detesto quem se comporta menosprezando evidenciando que o fulano é mais seu amigo, tem mais sua amizade, é melhor do que você, mesmo que você se esforce para ser bom amigo. Cara a cara com outro fica revelador o quanto você é só mais um na multidão e que nada mais importa. É foda! É foda e me deixa puta da vida!
            Não estou cobrando amizade, mas comensurando consideração. E também não vou aproveitar esse espaço para fazer um tratado sobre o que é ser amigo, pois estou vendo que não é ser amigo o que importa, mais o quanto se faz valer uma amizade.
            Antes de receber esse email, estava me dizendo que nunca se deve trocar um amor velho, por um novo. E lembrei-me de meus velhos cartões postais com aqueles que sempre tiveram minha amizade, isso mesmo, minha amizade e que hoje posso dizer que também são demais meus amigos. E são amores velho, de infância, de adolescência, pessoas com quem sempre me importei e para quem eu sei que me importo. Pessoas que senão me ligam todos os dias, se fazem presente quando querem afagar ou receber um afago.
            Mas, enfim, a vida de tão corriqueira que é, também vem mostrar quão corriqueiros são os relacionamentos, coisa que eu não consigo suportar. Porque eu sei ser amiga e sei dar minha amizade, na mesma medida que sei receber. Preciso destacar, contudo, que esse email veio para me alertar que devo reparar que não é só o tempo que te traz amizades sinceras, mas a força com que esses nós são atados, quando você entende que alguém merece sua amizade e que vale à pena se doar a ela.
           Ter um alguém que é mais amigo do que outro, não autoriza a falar o que quer quando bem entender. Mas isso ter acontecido mais uma vez mostra que devo aprender a não me importar tanto, afinal eixte uma grande diferença entre ser amigo de alguém e ter sua amizade num custo que vale à pena qualquer sacrifício, sem que para isso algo seja colocado em jogo, ou em faces!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Minha homenagem a minha Daniele Silva

Seca essa chuva, tira o sapato, resgata teu tempo, solta essas asas e vai...
Mergulha bem fundo, volta à infância, grita teu não e um desespero de sim.
Junto um punhado de vida nas mãos, solta no tempo e vê que o tempo não é tão retórico assim...
Cultiva realidades, planta uns sonhos, solta esse peito e senta aqui, bem aqui no teu jardim...
No meu jardim se perde, vira uma mata selvagem, goza bem devagar...
Arde no sol, recomeça de novo, muda teu tempo, de leve num tamborim...
Solta de vez essa lágrima lacrada... esmurra esse peito dengoso... engrossa a voz e encara a estrada...
És menina tão grande menina, a minha menina, da poesia que ainda não escrevi.
E se sais de cena, retoca a boca, se retoca louca, incha os olhos e repinta o que ainda não disse de si...
Mas se hoje é festa, nem toca, nem congela, nem desisfesta o grito explosivo que nem me deixa ouvir..
Faz tua vida de novo nesse ano.. de novo que nem é tão novo assim
Me pede de novo o que não queres ouvir, mas me deixa na tua vida
Como um carma, um carma de mim...
E se assim meio sem jeito te digo, moleca, feliz aniversário, num grito estrondoso intimidado daqui
Mas sente em teu peito todo amor dessa tua amiga, mãe, irmã, que te ama inexplicavelmente
Como parte extensiva de mim...
Parabéns!!!

domingo, 20 de novembro de 2011

Memórias, Crônicas e Declarações de Amor

Ele é intepestivo e irracional. Acho até que imaturo emocionalmente. Mas não enxerguei isso há tempos perdidos. Sua presença era marcante, desde o olhar perdido na rede com um livro que se esquece de ler e tão viva na rede social que não me permitia esquecê-lo.
Mas ontem foi esquisito. Nunca tinha decidido não querê-lo mais. Eu o queria desde sempre, silenciosa, pequena, num volume de permissões, que me tornavam generosa em querer ter sem nem ao menos me querer bem. Só me importava tê-lo, desde que eu estivesse inteira, ainda que ele pela metade.
Mas ontem foi esquisito. Toda a memória contada dele teve um peso que me doeu nas costas. Suas histórias de amor, que nunca me importaram, vieram como um grito de alerta. Seu comportamento trivial em se tratar e em se destratar atravessaram-me como metáforas doloridas e esquisitas da heresia. E tê-lo deixou-me de ser tão importante, embora eu tenha sonhado uma noite inteira e bem dormida com ele essa noite.
Mas ontem foi esquisito. Ele não desejar meu beijo, depois das certezas canônicas que só eu respirava, doeram-me demais. Uma dor passageira, pois ainda acordava e pensava em uma ligação e um convite. Um pedido e uma paciência para me entender, compreender e me querer também.
Mas ontem foi esquisito. Eu não o desejei mais. Os sonhos cessaram. A vontade passou. A lembrança calou. A admiração morreu. As certezas vieram. As convicções se negaram...
E tudo porque ontem foi esquisito... Vê-lo se desmerecer e se enterrar em mais um erro, mecheu com minhas denotações tão leais a respeito dele: achava que ele fosse um cara que daria certo, um cara para andar de mãos dadas e se orgulhar de tê-lo do lado. Um cara para apresentar as outras garotas e despertar um pouquinho de atenção. Um cara que seria meu companheiro e de quem eu me orgulharia ser parceira. Um cara a quem eu farias dormir com afagos no cabelo e o faria se perder com declarações de uma paixão. Um cara para eu me perder e me achar... Um cara para chamar de meu!
Mas ontem foi esquisito. E agora ele parace habitar meu silêncio penoso de um olhar que não se deslumbra mais por ele, que não cativa, nem cultiva minha admiração apaixonada...
Ele hoje está nas minhas memórias crônicas e nas minhas declarações de amor curadas. Tudo graças(?) a ontem que foi tão esquisito.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Repaginando-me sempre

Tem coisas quem me dão um prazer indescritível, bem como há aquelas que me dão raivas inexplicáveis. Mas como creio piamente na felicidade, nos prazeres da vida, em que tudo se resolve brevemente quando cremos que podemos ser feliz, busco não lapidar certas coisas e nem ligo se me chamam de louca descompensada, espalhafatosa, retardada...
Acho que tem várias formas de recebermos a Graça Divina, ela pode estar na simplicidade das coisas ou no plural delas. Uma barra de chocolate, um vento no rosto, um telefonema inesperado, uma fome saciada, um abraço fraterno, um consolo materno, enfim... Ela pode estar na tentativa de substituição, de compensação, mas ela está sempre nas menores coisas e nas maiores também. Mas como sempre fomos domesticados para a ambição e ao mesmo tempo para o conformismo, nos tornamos atrapalhadamente desregrados para dizer nãos, quantos forem suficientes, àquilo que nos faz mal.
Uma loucura é o que vivo! Gosto do riso alto, entretanto grito alto quando não gosto e saio resolvo e vivo. E se não tiver deixo pra lá, saio de cena. Tenho pavor de dizer que amo desde sempre algo, quando seria evidente às pessoas que meu querer de uma hora pra outra é uma necessidade autoafirmação. Creio até que fuga de mim mesmo.
Bem, hoje estou na contramão das coisas e revendo certos conceitos. Certas amizades. Certos acertos. Certos erros. Crenças em pessoas que se desfizeram em suas verdades, como se elas fossem uma mentira pairando no ar até agora. Mas isso me da uma prazer gigante, pois mostra como ainda estou atenta e lúcida às coisas da vida, aos detalhes que nos movem e como ainda posso significar e resignificar tantas mil coisas que rolam por aí.
E como também ainda posso crer no riso por nada escapado de um hora pra outra. Como é bom o danone comido com o dedo e o biscoito furtado na madrugada. Ficar até tarde me maquiando e imaginando o que ele sentiria se me visse assim tão deslubrante. Comer meia barra de chocolate e nãop sentir culpa. Ser gordinha e não ligar aos padrões da globo... Ser feliz rolando na areia, chorando pro alguém, escutando música alta e até escrevendo nesse blog.
Ser feliz é uma capacidade de expressão e de viver e saber dizer não aos trechos maus cantados da vida que quem dita o ritmo somos nós mesmo.
Bom dia!!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Eduardo e Mõnica

Essa música é muito dez. Lembro que eu, a Marla e o Reinaldo escutávamos e cantávamos andando na rua. Coisas de adolescente mesmo. Quando não, nós com mais outros amigos, nos reuniamos e iamos cantar Legião Urbana com o Edil no violão... era tudo que há de máximo. Da uma saudade enorme, uma vontade de chamar os amigos e curtir a vida tal qual era antes.

Depois de muito escutar, fui entender porque foi o filhinho de Eduardo que ficou de recuperação...

Eduardo e Mônica

Legião Urbana

Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
No outro canto da cidade, como eles disseram
Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
Um carinha do cursinho do Eduardo que disse
"Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir"
Festa estranha, com gente esquisita
"Eu não tô legal", não agüento mais birita"
E a Mônica riu, e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa
"É quase duas, eu vou me ferrar"
Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard
Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de "camelo"
O Eduardo achou estranho, e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo
Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô
Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda tava no esquema
Escola, cinema, clube, televisão
E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser
Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro, artesanato, e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar (não!)
E ela se formou no mesmo mês
Que ele passou no vestibular
E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela
E vice-versa, que nem feijão com arroz
Construíram uma casa há uns dois anos atrás
Mais ou menos quando os gêmeos vieram
Batalharam grana, seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram
Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão
Só que nessas férias, não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação
E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?