De todas as necessidades que tenho, a de escrever é-me a mais prazerosa e poderosa.Cada coisa que me envolve estará aqui no meu canto, no meu tempo, na beleza do escrever, no encanto das palavras!
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Eu era um Lobisomem juvenil
Eu, complexamente, amo essa música. Ela desperta em mim uma emoção gigante todas às vezes que escuto. Choro, sempre. Viajo, sempre. Canto alto, sempre. Dedico-LHE, sempre!! Uma pena que o meu coração pense, porque eu não o espero mais!!!
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Amor ao que passou e ao que vem
Espere por mim, vida linda, espere que eu chego já... Quantas vezes quis dizer isso à vida, com vistas ao descanso conquanto a vida repousaria me aguardando? Quantas vezes quis pedir ao sol que aguardasse mais um pouco seu explendor para que eu pudesse me conservar mais um puco na cama? Quantas vezes clamei por um dia com 32h? Quantas vezes desejei que a música não acabasse, à noite que se prolongasse, os desenhos que brotassem?
Ainda bem, que a vida não parou para eu me ajustar!
Tive que ser Aline... viver o Batista... e intensificar o Rodrigues... e nesses 31 anos, hoje faço um retrospecto do que foi este último ano para mim, a partir da influência de cada uma dessas partes que moldam minha história e trajetória de força, vitórias, comemorações, tristezas, renovações, reprovações, alegrias, amor e esperança.
A começar pelo Aline: única parte tributária a mim com um floreio de exclusividade. Neste último ano quis trazer para perto de mim pessoas que eu acreditava ter um potencial enorme para ir além do que já tinha, que no entanto estavam estagnadas há tempos. Lutei, batalhei chamei à luta, entretanto sempre sobressai um dos meus grandes resplendor neste tecido vital com prazo de validade indefinido: faça sua parte, mas não gaste seu latim. Ser Aline é potencialmente ser solidária e generosa às causas pelas quais lutas para si, mas que gostaria de dividir com os outros, para somar alegrias e vitórias. Mas a Aline detesta qualquer cheiro de sabotagem personal, ou seja, gente forçada que finge, que não investe em si e burla a inteligência de pessoas burras, fazendo-lhes acreditar ser aquilo que nunca se esforçaram para ser. A Aline gosta de transparência, razão pela qual dá aos outros o direito da dúvida através do benefício da palavra. Esse ano errei com duas pessoas, que julguei sem ouvir a outra verdade. Fui buscar acertos, pois não poderia findar este ano, hoje, com essa dúvida na cabeça. A conversa lacrou que há cerca de um ano vinha notando.
É bem verdade que sou assim por herança genética e ideológica do meu lado Batista. Os Batistas são de raça, de personalidade, de grito. Não é qualquer chameguinho, voz doce, floreios que nos ludibriam. Somos atentos e unidos, o que nos remete a saber ouvir e falar uns aos outros, seja na alegria ou na tristeza. Somos honestos mesmo e sabemos honrar nossas próprias palavras, conforme nossos avós ensinaram aos nossos pais. Superamos adversidades inenarráveis na vida, mas não levantamos como bandeira de causa para "atravancarmos" admirações. Somos batalhadores, pois vimos a batalha contra a fome, frios e solidão travada por nossos pais para que a nós não faltasse nada, em especial amor. Temos o cordão umbilical atados uns aos outros e sempre nos importamos intensamente com o próximo, consoante prega o cristianismo a que devotamos com amor. Não nos desdizemos e dizemos posteriormente o que somos sem antes termos sidos. Somos Batista, aqueles que são conhecidos como "mexeu com um, mexeu com todos". Família enorme, que preza pela família. Por isso, nunca neguei batalha, embora tenha dormido este ano com alguns medos. Mas com boa Batista que sou mais um ano não repeti discursos e levantei vários trofeus, frutos de minha batalha.
Dos Rodrigues reforcei o amor solidário, o exemplo de família e o apreço pelos estudos e trabalho. Reforcei o dom da sinceridade e o amor pelas palavras, talvez seja por isso que sou tão apaixonada por elas. Aprendi que aquilo que não te faz bem, não precisa estar contigo: descarte. Todos merecem uma segunda chance, menos aqueles que não se dão nenhuma. Todos merecem ser ouvidos, menos aqueles que não se escutam. Todos merecem uma retratação, menos aqueles que irão continuar no erro. Vire as ccostas e continue sua batalha tendo sempre os dois lados da moeda em seu bolso esquerdo: você precisa do exemplo do bem e do mal, aprenda a dosar! Por isso, que mantenho meus amigos de fé e de luta há tempos e me orgulho de suas batalhas, bem como mantenho por perto (no bolso esquerdo) exemplos de quem não quero ser, o que chamo como o lado avesso do espelho. Esses exemplos eu não invejo, porque não quero ter o que sempre batalhei para não ser.
Este ano, como já mostrei no post anterior, foi lindooooo... Eu gostei de tudo que conquistei e me livrei, graças a Deus! Não teria conseguido nada, se a cada amanhecer não colocasse nas mãos de Deus meu dia e minha vida e de tods que eu amo, nem teria conseguido nada se não tivesse em oração pedido que ele me desse força para alcançar o amor e me livrar de todo o mal.
Obrigada, Pai, eu cheguei a mais um ano bem vivido, orgulhosamente vivido e tudo que sou, tenho, serei e terei eu dedico a Ti, que sempre estiveste me acalentando e me dando forças para seguir. Obrigada, por não deixar a vida parar, pois seria bem capaz de que eu parasse a minha e isso eu jamais anseio. Amém!
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
31 anos
Às vésperas de meu aniversário, me ficou impossível não fazer uma revisitação neste meu último ano de vida, fazer umas confissões, tanger algumas mea's' culpa's', apontar alguns dedos, mergulhar no infinitivo, gerúndio e futuro imperfeito. Ser um pouco Aline, muito Batista e super Rodrigues.
Olhando desde outubro passado, vejo que deu quase tudo certo. Algumas coisas saíram na medida em que planejei, outras aconteceram como consequência de meus outros planejamentos, outras foram gratas surpresas, outras, embora tenham machucado, serviram de uma grande lição de vida.
A primeira maior de tudo que conquistei neste ano foi, sem nenhuma dúvida, o meu título de Mestre. A caminhada foi árdua, dura, mas me rendeu uma árvore de conhecimentos, amigos verdadeiros, um teste de superação, um reforço na minha condição de capacidade e de superação, respeito de quem respeitamos e um se importar comigo sem tamanho. Rendeu-me, também, minha aprovação no doutorado.
Comprei um carro, arrumei minha pequena sala do jeito que eu gosto. Investi em livros e li cada um deles. Tornei-me uma leitora bem melhor, mais conteúdistas, mas argumentativa e consegui reconhecer amigos que são bastante visceral, por se levarem a sério quando o assunto é conhecimento. Reconfirmei mais do que nunca que a unanimidade pode ter seu interesse, mas que é bem burra, chata e grotesca sim. Nesse tempo, também, risquei algumas pessoas de minha lista fraterna, bem como retomei outras tantas amizades boas. Passei a ouvir mais minhas antigas amigas, especialmente quando o assunto é me alertar sobre gente. Aprendi que pessoas sabem avaliar gente.
Fiz deboche com meu conhecimento em detrimento do pouco conhecimento alheio. Foi horrível, admito, porém precisava confirmar se a pessoa fingia sempre ou só quando queria se fingir de inteligente. Fingi que certos autores tinham dito alguma coisa em seus livros, quando nem sobre o assunto falavam. Ouvir sua concordância foi cômico e penoso, simultaneamente. Perdão a mim, prometo não fazer mais.
Redescobri alguns velhos sonhos e sorrisos. Perguntei-me várias vezes "e agora?" e subi até as nuvens, maravilhada. Conheci Porto Alegre e Gramado. Estive no Rio de Janeiro. Fui cortejada por pessoas interessantes. Disse alguns nãos para os outros, mas bem mais para mim. Engordei, emagreci, engordei de novo. Continuei comendo de madrugada vitimada pela insônia. Comprei e mergulhei na coleção de Nietzsche. Redescobri Schopenhauer e quase vomito lendo a maior pornochanchada da literatura atual "cinquenta tons de cinza". Chorei com a mudança de meu irmão, chorei com minha mudança, amei minha mudança de opinião, de lado, de atitude.
Tirei várias gentes da costa (pesos mortos), coloquei muitas outras no colo. Redescobri a matenidade a cada dia e vi que ser mãe é de fato um dos maiores, senão o maior, milagre de Deus. Reencontrei-me com Deus e Nossa Senhora e vi que não adianta discursar sobre suas bênçãos e ser mesquinho, egoísta, duas caras, ingrata, falsa e mentirosa. Revisitei-me! Tenho meus pecados e muitos defeitos, contudo não digo que sou uma coisa e nunca consigo sustentar uma fatia dos meus dizeres. Não sou uma grande incoerência humana.
Dividi outra casa e aprendi a respeitar as diferenças de pessoas reais. Aprendi a dividir. Declarei-me para meu amor e descobri que o amor passou. Declarei-me para meus pais mais e mais. Corri com meu filhote e quase somos congelados brincando de fazer fumacinha com o vento frio. Reaproximei-me de minhas primas e irmãos. Parei de comprar mais sapatos e brincos. Fiz promessa para não beber até o fim do ano, em agradecimento pelo restabelecimento de minha saúde. E vou manter porque Deus merece.
Reorganizei minhas finanças, reorganizando, por tabela, minha vida. Deliciei-me na feira do livro comprando 22 livros linddooossss...
Valeu à pena? Tudo! Cada conquista, cada sorriso, cada vitória, cada decepção, cada lágrima, cada pedaço de mim que se derrama na vida e cada pedaço da vida que se derrama em mim...
sábado, 29 de setembro de 2012
Ebriedade
Invadi sozinha um bar. Pedi um trago de bebida forte, uma porção de torta de maçã. Fiquei distraída olhando ao redor rezando para nossa senhora do invisível que nem um conhecido me espreitasse. Depois remoí a semana intensa que tive e adorei estar naquele lugar repleto de desconhecidos, homens e mulheres indecifráveis, mas todos acompanhados sussurando em uníssono "quem essa daí está esperando?"
Ui, ninguém! Complexamente, ninguém. Assiti, fingindo indiferença, a uma partida de bilhar entre dois casais. Escutava umas músicas cafonas e me divertia com aquelas rimas deploráveis parecendo surgir das profundezas do inferno. Resolvi soltar o cabelo e mandar descer dois chopps, "pronto ele deve estar chegando", devem ter pensado.
Garçom, mais um, por favor! Tomei 5 páginas de letras indiscretas e me afoguei no riso quando um porre me disse "sai fora, ele não deve ter conseguido escapar da mulher". Nossa, eu tinha cara de outra. Será que isso é melhor do que não ter cara nenhuma?
Ensaiei uma resposta, mas preferi um sorriso pálido: havia gostado do personagem que haviam me dado. Para inflamar mais, tirei o celular do bolso e ensaiei indelicadas e insistentes chamadas para meu suposto amante. A galera pirou! Fiz cara de raiva, mandei descer mais dois chopps, virei o primeiro, degustei o segundo, retoquei o batom vermelho.
"Um bilhete para senhorita". Guardei na bolsa sem lê-lo. Mandaram-me um tira gosto, porém desejei eferver lenta e bruscamente como sorrisal do bêbado ao lado. A cabeça girava e as palavras já saíam pesada, o dedo mal levantava pedindo mais um.
Resolvi guardar o livro, pois as letras há muito já dançavam à minha frente. "Moça, posso sentar aqui", pediu-me um grotesco cavaLEIRO, "sim, sim" respondi e imediatamente me levantei para deixá-lo mais à vontade.
Novamente, puxei o telefone e fingir ligar para ele. Comecei a acreditar naquela mentira (seria assim as pessoas que quando resolvem ser um personagem, uma hora passam acreditar na sua própria mentira?). Desliguei o telefone revoltada, mais uma vez fingia. Ganhei um chopp, sentada ao balcão erá mais fácil o assédio. Decidi não tomar, um boa noite cinderela não estava nos meus planos, nem aquele estranho bar estava, confesso.
Paguei a conta com cheque sem fundo. Saí e choquei ao descobrir que meu carro não estava mais em frente ao bar. Desesperei-me! Puxei o telefone para pedir ajuda, eis que constatei ser impossível, já que não havia um contato listado no celular novo. Precisava chegar em casa o mais breve possível para saber do carro.
Não havia carro, não havia há quem ligar, não havia livro na bolsa, não havia sobriedade, não havia sorrisal, só o que havia era meu amante fulo da vida me esperando com um buquê murcho e um café amargo. No mais, existia um amante.
Não era mentira o encontro, eu é que não havia ensaiado aquela parte!
terça-feira, 25 de setembro de 2012
A carta rasgada
Deveria ter te deixado uma carta, mas eu tremia demais. Outrora, teria me jogado aos teus pés, te implorado que me pedisse pra ficar mais um pouco. As fichas, porém, tinham se esgotado. A saga havia chegado ao fim. Esses três anos, esses três meses, esses três dias foram demais, já não conseguia subverter minha vontade de ficar. Eu queria ir. Eu precisava ir.
Eu fui. E se você pensa que não deixei rastros, está enganado, eu me deixei inteira por aí para não precisar ser quem nunca fui. Eu deixei os beijos insossos, as transas inertes, o aperto na mão sem graça. Eu deixei a televisão ligada no futebol que nem me servia para te ter por perto. Eu deixei as queixas da mulher desocupada, a cama desarrumada, a panela queimando a comida sem graça.
Ah, o amante, este eu tirei do armário. Não se preocupe, ele não despencará em cima de você para esfregar na cara o sexo casual que tanto detestei. Que ironia, sexo casual! Deixei algumas contas também, para que você visse o quanto gastei em beleza plastificada, para que você chegasse e me deixasse de souvernir uma dor de cabeça de boa noite e um mau humor como saudação matinal.
Meu café de hoje? Não está mais amargo, achei o açucareiro. Ainda corre pelas suas bordas umas formigas sem graça, que querem roubar todo o doce do meu açucar.
Levanto de madrugada, debruço-me sobre a janela, ponho o dedo na gota de chuva inexplicável que me cai do rosto e vejo, maliciosamente, como ando feliz!
Não me és mais um peso. Não tenho mais marcas no corpo, nem a alma castigada, nem preciso te perdoar tantas vezes depois de tantos perdões.
Depois desse banho trépido, depois desse sossego, só me resta te dizer que fiz bem em não ter te deixado uma carta.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
(In)Certas!
Tem
certas cores que não combinam, certas ideias que não se encaixam, certas
palavras que não ocupam lugar.
Certos silêncios ensurdecedores, certos comportamentos
molestadores, certos teias que não emaranham.
Certos blocos que não se
encaixam, certos brilhos que não cintilam, certos mãos que não lagrimam.
Certos
amores que enclausuram, certos bebidas que não embriagam, certos vendavais que
aquietam.
Tem certas melodias que ensurdecem, certas alegrias que entristecem,
certas conceitos que inebriam.
Tem certos blocos que não colorem, certos cinzas
que norteiam, certos gris que clareiam.
Tem certos certo que erram, certos
sorrisos que me entopem, certas andanças que me nauseiam.
Tem certos beijos que
não estalam, certos medos que bloqueiam, certos dedos que não se enlaçam.
Certos olhos que não se cruzam, certos conversas que não se encontram, certos
repousos que se escapam.
E tem certos eus que não se acham, por certos tus
que tão se perdem.
E tem certas histórias que acontecem, tão visceral, que precisam
mais de uma vida, para acontecerem por completo, por serem incertas!
terça-feira, 18 de setembro de 2012
É que meu coração pensa
Passei um tempo que me parecia interminável buscando me adequar as vontades de todos os outros. Ensaiava passos, buscava não esgotar os sorrisos, virava ao avesso, se preciso, para não desagradar e perder preciosidades camaleônicas. Eu temia um vazio que se quer conhecia, nem anseiava, apenas por seu sinal de existência experenciado pelos outros emblemarem um lugar vazio na minha estante.
Mas tem hora que cansa. Às vezes cansa rápido, às vezes cansa demais, às vezes nem cansa, mas está lá sem explicação, ou mesmo por explicação esdrúxula, desabitual, desafagável, lacônica.
Por cansar e por temer que as voltas que a vida dá fossem longas demais diante para minha implacável impaciência, resolvi ser mais eu e menos os outros. Resolvi parar de me importar com os comentários idiotas e lascinantes que cobravam um comportamento emoldurado para uma garota que é filha única.
Decidi não seguir o script, cortar as verbas, repensar editais, ser mais pólen e menos raiz. Neguei a vocação de mulherzinha, coitadinha, laidizinha. Fui mais macho que muitos homens quando precisei me desembainhar da saia da mãe. Levei rasteiras da vida, engoli choros e sapos, rezei baixo e desesperada, tive pesadelos inexplicáveis, me desprendi de amores imperfeitos, fiz contas incalculáveis, não superei o medo de altura nem do escuro, levei broncas desnecessárias, aguentei silêncios impiedosos, recebi um não que nem me foi dito, trabalhei no que não poderia, não aparei arestas selvagens, fui puro instinto, desfiz laços e me torturei com os nós, desisti, resisti, persisti, não consegui...
Tudo numa lacuna necessária, desvirtualmente afetiva, a fim de alcançar o ápice do que almejava por hora, por uma semana, por um mês, ou por uma vida toda.
Aprendi? Também. Mas, enfim, compreendi que a vida é feita de resistência, de resiliência, de autogenerosidade, de menos drama e mais comédia. Arregacei as mangas e me inscrevi na minha própria escola, lugar onde eu posso me reprovar e me recuperar de verdade. Onde eu posso lavar a alma e colocá-la para secar onde eu quiser. Onde eu posso ser mais eu!
Doeu, mas eu amo cada tijolinho alinhado, cada sementinha plantada, cada sorriso colhido e cada alma replanejada, pois eu planto sonhos para colher o que há de melhor em mim, inclusive amor, por isso não irei desistir, embora o coração não pense!!
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
As nuvens não são de algodão
O pior da política é a criação de "causas" para benefício próprio. Quando estudante da graduação, participei de tímidos movimentos que tinham por intuito combater a retirada do termo "gratuita" do estatuto das Universidades Federais, que pregam a "Universidade como pública e gratuita". Nessa mesma época, vimos o horror de termos nossas instituições privatizadas pelo governo de ideologia neoliberal, que só não tentou privatizou a bunda (num termo educado) para não ter muita gente metendo a mão.
Em contrapartida, pelo seu insucesso, FHC baixou uma emenda autorizando, a grosso modo e sem o rigor necessário, a criação de inúmeras instituições de ensino superior particulares para formar profissionais de respeito e ser, portanto, de respeito também. A ideia fundante era a de enfraquecer as instituições públicas de ensino superior, em especial as da rede federal, o que faria com que o governo reclamasse sua privatização, alegando não haver subsídios suficientes para ele (o governo) ser o responsável pela gestão, manutenção e ascenção desse nível de ensino.
O problema todo foi que o tiro saiu pela culatra. Os empresários que resolveram ser donos de uma faculdade não tinham noção da imprtância e de quanto trabalhar com educação e programas governamentais dá trabalho. Também não tinham noção que haveria uma concorrência transloucada, ou seja, muitos querendo se dar bem sendo donos de faculdades, e pouca gente interessada em se qualificar para valer: muito mais por não terem a noção exata do que é um curso superior, nem ganharem o suficente para se manter em um curso que deveria ser por excelência legitimado como tal.
Como consequência, o fracasso preanunciado instaurou-se antes até do que o previsto. Não havia público o suficiente que pudesse custear sua própria faculdade, dentre tantas razões, devido ao Brasil ser mais subdesenvolvido do que se imagina. Isto implica dizer que há menos ricos e classe média estável do que possa imaginar nossa vã filosofia. Nesse sentido, diversas faculdades cerraram as portas na mesma velocidade com que abriram. Vários cursos foram fechados, sem sinal vital de que poderiam voltar a funcionar. O individamento transbordou e gastar com um curso superior passou a fazer parte dos planos financeiros de uma família: deveria se ver sobre a possibilidade de pagar uma.
Muitos levantaram a bandeira, mas bem poucos a sustentaram até o fim. A credibilidade de várias instituições, mesmo as já firmadas no mercado, foram colocadas em xeque. Foi um choque letal!
Esse fracasso fez com que as Universidades Federais se fortalecessem, pois elas não fechavam e estavam para todo o sempre com recursos para funcionarem, mesmo na contravontade de quem governava um país e achava que investir em recursos para educação era o mesmo que queimar dinheiro numa explosão de caixa eletrônico. A ironia foi total. Passar nas particulares servia ou para colecionar aprovações, ou para se resguardar de uma não aprovação em uma instituição pública, ou mesmo porque não se garantia encarar uma. Outros diziam que recorriam às particulares porque nelas não há greve, falta de professores e outras tantas desculpas tão rasas quanto sem fundamento (esse discurso me parece daquele cidadão que não sabe brigar pelos seus direitos).
Com a entrada de Lula na Presidência, o mesmo do mensalão (embora negue), os ventos mudaram. A cara da educação mudou e os que queriam tê-la de forma institucionalizada, tiveram o acesso revisto e não precisariam mais vender a comida para comprar a cópia do livro. Lula, não sei se compreendeu, mas entendeu que o povo queria além de comida educação, diversão e arte. E deu. Vários programas idealizados há tempos por gente que sabe de educação sairam do papel e estão permitindo a democratização do acesso à educação. Programas que contemplam as várias classes sociais, respondendo aos apelos das várias lutas de classes, feitos por gente que tenta não tornar alheios os próprios brasileiros, que visam fazer de sua pátria idolatrada de direito.
Ainda há o que se fazer? Muito. Inclusive somar aos programas educacionais, políticas educacionais, pois qualque programa, a bem da verdade tem data de validade, e política pública não. O caminho conhecido não é senão, para começar, usar e aplicar 10% do PIB para educação. Só assim o PDE seria uma realidade alcançável, as greves seriam lendas (embora esta última seja uma luta válida) e a educação superior brasileira seria de fato Superior!
Isso não é uma missão só da Dilma, mas de todos os brasileiros que entendem que país grande é país educado!
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
O que ninguém não entende
Não acho piegas confessar fraqueza. Acho nobre demais, até. Ninguém é 100% forte, capaz, competente, uma fortaleza, que possa passear pela face da terra sem sentir dores, medos, insegurança, por estar ocupado demais sendo feliz e vivendo sua vida. Eu achava que isso poderia existir, mas ultimamente tenho tido mais certeza de que não.
As redes sociais estão aí para testemunhar os crimes imperfeitos. Quando não se está falando do que se é (na modalidade do perfeito) e o que lhe faz feliz, posta-se sobre o interesse que as pessoas possivelmente tem em sua vida. Em contrapartida, como modelos de fortaleza, os conselhos e nortes para solucionar o que não se tem parem na rede numa velocidade tão formidável, quanto mulheres parindo em hospitais públicos.
Eu vivia ocupada. Quando não estava trabalhando e/ou estudando,e stava pensando em que fazer para que não houvesse um depois vazio. Tudo já estava delineado e todos os planos e pessoas eu já tinha por perto. Aparentemente não me faltava mais nada. Até um medo inesperado, uma solidão transloucada, uma angústia terrível passar a fazer parte de mim e me inquietar. A inquietação é tão gigante, que até de dormir eu tenho medo. Tenho medo de sair a rua e algo me acontecer, tenho medo do que possa me acontecer amanhã exatamente por eu não ter controle da vida. Tenho medo de que aconteça alguma coisa com os meus. TENHO MEDO E NÃO SEI O QUE FAZER.
Aparentemente, tudo começou por conta de uma horrível pneumonia que eu tive. Fiquei com uma falta de ar horrorosa e senti medo de morrer sufocada e não ver meu filho crescer. Quando comecei a me recuperar da doença, passei a sentir meu coração disparar do nada, minha força se esvair e meu fôlego faltar e ter medo.
Ora, mas eu não era uma fortaleza intocável? E por que isso? Porque só controlamos aquilo que sentimos conscientemente. Do que forma nossa inconsciente não temos controle, só o que podemos saber é de nossos atravessamentos, sendo que dele nem sempre pdems alcançar o que nos atravessa.
Estas duas últimas noites sem conseguir dormir, tenho me deparado com uma Aline com fobia do desconhecido. Uma Aline que implora à Santíssima Trindade e a Nossa Senhora que não lhe abandone, porque ela tem medo de algo que não a deixa em paz e só lhe dá uma enorme vontade de estar só, embora a solidão a tenha apavorado também.
Hoje eu levantei pela manhã, com olheiras indescritíveis, chamei minha mãe e lhe disse em meio a lágrimas"eu preciso de ajuda". Gente, de repente descobrir uma total falta de controle sobre aquilo que eu mais achava ter domínio: minhas emoções!
Tentei me distrair durante o dia, mas eis que estou aqui sem ter com que ocupar minha mente, senão com um medo injustificável.
Seria histeria, Lacan? O que sei é que eu preciso de ajuda!
sábado, 4 de agosto de 2012
Onde está seu preconceito?
Uma garota america de 16 anos ganha ouro na ginástica olímpica. Isso por si só é a glória para um país feito os EUA. Ouro! Mas não foi. Deveria ser. Quase em coro no twiter, a comunidade negra reclamou que ela estava com os cabelos dessarumados. Ora, ela teve força, perserverança, determinação e técnica, mas devido ao cabelo estar desarrumado o ouro foi prata, ou melhor, bronze. Afinal, prevaleceu o preconceito contra sua raça, que levou o ouro, e o embaraçoso bagunçado de seu cabelo, que levou a prata.
Ela ser negra e ganhar ouro pelos EUA virou notícia. Não teria gerado essa polêmica toda, creio eu, se ela apenas ganhasse o ouro. Mas ela levanta a bandeira da hipocrisia estendida como salvação há 5 anos, quando foi lançada a campanha de um negro a Presidente dos EUA. Não abstaria sua competência? Foi um negro que deu sua vida contra o apertheide e passou outra parte dela em prisão domiciliar, mas vindo de um país de negros isso é natural. Ora, macacos me mordam, plagiando Gentili, somos uma raça só, da raça humana, então pra que segregar mais.
Vivemos uma era cruel contra os negros? Sim. Entretanto, já somos mais instruídos do que há 124 anos. Já pisamos na lua, armazenamos milhares de dados em memórias ultramicros, avançamos na área da saúde, conseguimos exterminar da face da terra milhares de doenças responsáveis pelo extermínio da raça humana, as mulheres conquistaram a igualdade trabalhista, etc. A garota lá, tem o privilégio de escolher quando engravidar, além de decidir se quer sangrar todo mês, pode ser independente financeira e emocionalmente se assim decidir. Poderia estar roubando e treinando para ser uma exímia dona de casa. Mas quis ser atleta!
Ralou para isso e o que ouviu repercurtir após ganhar lindamente sua medalha de ouro? Que seu cabelo estava desarrumado. Que ela deveria honrar a comunidade negra e cuidar da aparência em especial em um evento desse porte. E seu ouro? E seu esforço? E sua batalha?
O que os estados unidenses esqueceram foi que ela ganhou a medalha para um país inteiro, ela honrou seu país, não a comunidade negra americana especificamente. Ela me honrou como mulher, ela me emocionou com seu sorriso que simbolizava "eu consegui", ela se construiu como reflexo a milhares de meninas que sonham em carregar no peito uma medalha olímpica de ouro. Ela se retira das olimpíadas com a certeza máxima de missão cumprida.
E o que deveria ter escutado? É isso aí Gabrielle Dougla o mundo se orgulha de você! Seu ouro foi lindo, garota!!!
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Por tudo mais
Eu não nasci gata, gostosa, sarada... Nasci pobre, pobre de marré, marré... Fora as longas cabeleiras, que por um longo período foram podadas por mim, nada mais chamava atenção. Sou sem gracinha, mas não sem sal. Não tenho nada que faça os homens me disputarem e batalharem por mim. Por essas razões não pude dar o golpe do baú e casar com um homem rico. Não pude virar maria chuteira e me divertir com inúmeros jogadores de futebol. Não pude enfeitiçar os homens a bancarem minhas vontades e distrações. Mas, sinceramente, NUNCA QUIS!!
Porque nasci digna e constantemente lavo a boca com sabão. Adoro arregaçar as mangas e enfiar a cara no trabalho, no estudo, em projetos, no samba e no rock. Fico orgulhosa de abrir a bolsa e pagar as minhas contas, além de abrir a boca para defender o que é meu. Ninguém pode apontar o dedo na minha cara e me acusar de periguete. Não dá nem pra eu me distrair, porque cair do cavalo exige tempo de recuperação, então se for pra cair que seja de sono. Se for pra eu me decepcionar, que seja para aprender a ser melhor.
Porque posso chorar por amor, pelo cara feio, sem graça e sem juízo. Mas jamais por um golpinho por uns trocados não terem dado certo. Posso entrar e sair de casa, estar sozinha ou bem acompanhada por quem realmente me interessa. Posso rir até a barriga doer das besteiras da vida, dos amigos e de minhas indiscrições. Mas os sorrisos são verdadeiros , fortes e fartos.
Posso ter medo do escuro, mas jamais de ser pega na mentira de um golpe qualquer. Posso comprar um livro interessante, para não me divertir com mensagens pornográficas. Isso pode se chamar independência, modernidade, fuga, ou outra coisa qualquer, mas eu prefiro chamar de minha liberdade de expressão. Por isso, não venha me dizer o que eu sou, devo ser ou deixar de ser, porque só o que é louco me interessa!
E por todas essas razões sou inteira, porque ser pela metade enjoa!!
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Divagações transloucadas
Ela deu um sorriso, balançou o longo cabelo, vestiu-se e passou a apreciar a lua. Depois, lentamente, ofereceu-lhe um chá e saiu. Demorou várias horas. A bruma cintilava, o sorriso não se desmanchava e ela permanecia envolta em um misterioso e desalentador sorriso. Voltou tão imperceptível, como saiu.
Por vários instantes, ele tamborilou os dedos, ansioso, engenhoso, querendo ser mais que uma tecnologia. Chamou Karl, quis saber o porquê de ser o resultado do que é. Estava indignado com a ausência do hibridismo, da criação coletiva e protestou sobre o poder místico criado em volta de algumas pessoas. Enquanto (não) degustava de sua ânsia permanente, coisas que só os gênios vivem, rabiscou um protótipo de um helicóptero, ultraveloz, leve e antibomba. Amassou o papel, desvalorizando sua criação, tal qual os industriais, que não sabiam de onde certas ideias tinham surgido (e eram dele).
Lisa espreitava a conversa pelos cantos, inócua, tentando não transgredir, mas lutando para ser mais que algo surreal. Cada vez que era solicitada, buscava flertar com as brechas, que lhe permitiam ser mais que um ponto de tensão naquela conversa, naquele ambiente fantasmático. Mickail surgiu, antes que Karl lhe convecesse sobre a passividade da formação humana, e lhe disse sobre a transformação pela linguagem. Ele podia, portanto, ser sim mais do que um. Ser dois, ser duas faces, ser dois seres. Ser dois em um.
Loucura! Vender as medidas perfeitas, no afã do homem vitruviano, podiam fazer de mim, Piero, um homem ilustre? Os seres mitológicos eram-lhe mais poderosos pela sua ausência de tecnologia, pois o poder lhes vinha de dentro, não de máquinas limitadas pelo ponto de chegada da mente. Eram puros, também, e como isso lhe doía.
Lisa começou a inquietar-se e seu desassossego, o empurrou para frente do espelho. Sua inconsciência, era seu próprio consciente. Sua face, seu sorriso, sua áurea de mistério eram ele. Ele era híbrido. Ele era ela. O lago que Narciso se afogou refletiu-se em seu olhar. Já bastava de viver a vida tentando ser o gênio, a confirmação da soberania masculina, a inveja do mistério feminino. Queria dizer de si, mostrar o outro lado de sua alma, casada com seu Outro. Despiu-se e vestiu-se de sua fantasia secreta. Deslacrou-se. Mickail percebeu a que convergiu sua interpelação pela linguagem. Karl reforçou sua lógica da atividade e passividade. Era o descontrole, o caos, pairando a favor do controle total. As portas ficaram cerradas por dias. De dentro o que se ouvia era seu pedido de paciência, pois estaria terminando a obra que lhe consagraria, dentro de tantas consagrações e enigmas.
Ao sair, mostrou-se através de sua pintura, mas no lugar de compreenderem que a obra não era mais que o imaginário feminino de si próprio, buscaram interpretar o sorriso misterioso de lisa e descobrir quem era a moça retratada naquele quadro. Ele preferiu o silêncio, porque ainda é caótico um ser humano ser visto cmo híbrido numa sociedade de metrossexual.
O sorriso retratado revela, que ela sorria, mas não se sabe se era feliz!
segunda-feira, 2 de julho de 2012
"E ele só tinha '6' que isso sirva de aviso pra vocês"
Trafegando por "O Bloggus", achei esse texto de um dos caras mais geniais da cultura musical brasileira. Como o magno havia indicado parte da biografia de Renato Russo na Wikipédia, também resolvi dar uma garimpada atrás de textos que escapam ao imaginário coletivo. A quem interessar basta dar uma olhadinha na história de Renato Russo no endereço http://pt.wikipedia.org/wiki/Renato_Russo
quarta-feira, 27 de junho de 2012
A educação que transforma
A batalha por um lugar ao sol, daqueles que acreditam que o estudo é sim uma das grandes armas para nos firmarmos na vida, foi o mote do Profissão Repórter de ontem, apresentado na TV Globo. Vidrei e vibrei com o programa, que mostrou relatos de pessoas, como eu, que há tempos dedicam esforços ao estudo, a fim de buscar retorno exatamente naquilo que ele proporciona.
Ao fim do programa, lembrei de um comentário feito por uma de minhas professoras no Mestrado, que afirmou que a intelectualização e culturalização amplia horizontes e perspectivas de trabalho, em contrapartida limita pessoas com quem você pode ter assuntos interessantes, que possam se desdobrar por noite e noites inteiras de bate-papo. Logo, que os interesses por pessoas e assuntos também mudariam.
Coincidiu exatamente com o que as pessoas que fizeram curso superior, especialização, mestrado e doutorado e que trabalham nas áreas de aplicação disseram: que elas mergulham no trabalho, nas leituras e escritas, por terem seus interesses silenciados pela ausência de alguém com quem dialogar.
Ainda não me sinto completamente assim, bem como sei que essa completude não me atingirá, considerando que minhas áreas de interesse são variadas. Não que eu seja eclética, mas é que transito por várias temáticas teóricas e literárias, que me proporcionam um livre bate-papo com pessoas de livres interesses. Mas sei, que alguns velhos assuntos já me cansam.
Há duas semanas, mesmo, estive na casa de uma colega e o pai dela foi a primeira pessoa com quem conversei sobre Giordano Bruno e a Heresia. Fiquei fascinada, pois todas as leituras que havia feito e guardado só para mim foram partilhadas com ele. Antes disso, estive na casa de outro amigo e ele simplesmente conhecia Lacan e Freud, mas conhecia mesmo, de saber, de citar, de compreender. Me fiz! Com uma grande amiga, sempre converso sobre Outro, Ethos e a questão feminina... debatemos sobre valores educacionais, desses que não se restringem a considerar como bom educador aquele que inova nas aulas (por sinal, essa crença tem que acabar). Há dois dias, estive com outro amigo, que debateu comigo a questão do Tempo, da Morte e dos Oráculos, que são vertentes a que dedico leituras desde a adolecência, com exceção da ideia que ele debateu sobre a morte, que me foi totalmente (e absurdamente) nova. Agora estou lendo um blog que apresenta reflexões e ironias que você nunca imaginava encontrar, de forma tão inteligente (até Pargom está por lá).
Aí, você vai cansando dos velhos papos de sempre, das mesmas piadas desgastadas, porque de repente seus assuntos emergem e você tem com quem partilhar de maneira profunda, fugindo da tautologia. A linguística tem funcionamento em todas as vertentes a que ela se propõe e você começa a entender que se matar estudando te proporciona algo além do que se espera.
Aí, você vai compreendendo a solidão e o sarcasmo que só os intelectuais tem. A ironia, a falta de paciência, a falta de amigos, que vejo alguns doutores comungarem, embora desse último tenho pavor, afinal sou adepta dos besteirol, que só so amigos proporcionam e ser visceral cansa.
O programa foi genial, inovador, com suas discussões sobre a crença nos estudos, sobre se transformar pela educação. Convergiu exatamente para a máxima apresentada de que a Educação transforma as pessoas, é essa educação que transforma a de quem toca e é transformado por ela, não as do discurso sobre. Porque tomar o clichê irrefletidamente estagna o país, mas seguir o exemplo de quem pratica a transformação faz com que o país avance!
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Preservar a face. Como?
Preservação das faces é, como o próprio nome sugere, o ato de preservar as faces (ou a tentativa de) , de não se expor, ou de se expor. E por que faceS? Porque há a face positiva e a negativa. Uma da qual temos domínio parcial, outra da qual não temos domínio algum. Isso aponta para a questão de que tal fenômeno transita entre o ponto de tensão do sujeito, que ao mesmo tempo busca ter controle sobre o que diz, mas que também apresenta "descontrole" sobre tais escolhas.
Vejo, nas redes sociais, conselhos imediatistas, pedindo que as pessoas preservem suas faces. Tenho tido, ultimamente, especial interesse por essas postagens, pois ao que me parece as pessoas se julgam controladoras dos sentidos que emergem ao enunciar, quando na verdade os sentidos são construídos no momento da interação e é a partir dela que iremos analisar as faces. Sem termos controle disso, sem tentarmos preservar.
A Psicologia também apresenta um estudo relevante sobre a questão das faces, bem mais relacionável ao nome do que a Linguística. A primeira ciência, entende preservação das faces como algo ligado ao comportamento, e sobre o qual temos controle. Já a Linguística exclui a noção comportamental, uma vez que na AD o comportamento não é passível de se ligar aos fenomenos do discurso, assim como firma a concepção de que não temos controle do que somos por sermos sujeitos heterogêneos. Logo, como preservar as faces senão temos controle total do que dizemos?
Nas redes sociais, tentamos construir uma imagem de nós no discurso. Quando postamos algo, buscamos atenuar nosso discurso com modalizadores, que revelam quem nós tentamos ser, mas que na verdade mostra quem nós somos. Isso acontece seja quando postamos mensagens pacificadoras, seja quando postamos mensagens que atacam. Para uma analista do discurso é aterrorizante ler o que circula na net, bem como postar o que se deseja postar, ou o que se gostaria de postar. Acho que uma especialista em AD jamais deveria circular na rede.
Por mais que tentemos construir imagens valorizadas de nós mesmo (face positiva) no momento da interação, não quer dizer que ela será compreendida como tal. Daí as amizades e inimizades, daí os ódios e amores. Isso porque, há o território do eu que é mostrado e o que não é mostrado, que se busca preservar de si (face negativa), para que o outro não nos invada, ou para fazermos com que ele veja somente o que queremos. Mas isso nem sempre dá certo, uma vez que toda interação é por si só um ato ameaçador.
Bem, então? Não podemos controlar as faces, mas podemos ser polidos, ou tentarmos, ao menos, sê-lo. E essa discussão, tendo por corpus postagens no face, é meu próximo objeto de pesquisa. De onde partiu tal ideia? Das postagens, como a que vvi ontem, de pessoas que clamam para que preservemos as faces durante as postagens. Ora, e como?
domingo, 17 de junho de 2012
Sobre o amor
Se "na natureza, nada se cria tudo se transforma" (Lavoisier), por que não compreender o amor como uma transformação cotidiana de sentimentos tocados? Graças a mídia, somos forçados a acreditar na felicidade amorosa a partir de um encontro extraordinário. Encontros sem graças (leia-se comuns) e amor construído não são exemplos suficiente para construir uma história com sabor protagonista, real, avassalador. É preciso roubar o fôlego, ter química, causar brilho no olhar no primeiro encontro, ocasionar frio na barriga, enfim... amor que é amor proporciona experiências surreais.
Não, isso não é amor! Quando amamos, amamos sem obrigação, sem retribuição, sem constragimento. Amamos porque simplesmente amamos, sem maiores explicações. E amor que é amor se constroi no dia a dia e não na idealização da pessoa amada, você ama simplesmente pelo que a pessoa é. Você ama o cheiro que ela inspira, o sorriso que ela lhe derruba, o esforço de suas rimas na ida ao trabalho. Você ama a forma como ela invade seu pensamento, pelas músicas que ela não compôs, mas que você entende como sua. E no contrário que se inspira, precisamos saber que o amor não machuca, não atormenta, não inibe, não envergonha. O amor só faz bem a quem o tem!!
E se o amor não acontece em uma relação, pode-se amar mesmo assim, na certeza de que não se ama só. Já diria essa linda canção "mesmo que você não esteja aqui, o amor não há de ir embora". Ama-se pela felicidade do outro, pela sua vitória, pela sua tranquilidade, pela sua paz de espírito. Quem ama, conhece que não há o tempo do amor, ele é tão livre, quanto o livre arbítrio. O amor acontece no pensamento e na vontade de estar, mesmo estando só.
Quem ama, sabe que, em algum percurso da vida, que nem sabemos precisar, temos a certeza que a pessoa a quem dedicamos tanto amor, acaba por fazer parte da gente, da nossa história e que, por isso,
mas nem só por isso, o amor será eterno enquanto durar. Quem ama, nunca está só. É por essa certeza que Tom disse que "fundamental é mesmo o amor é impossível ser feliz sozinho".
sábado, 9 de junho de 2012
Foi hoje que eu disse thau
Ensaiei anos a melhor forma de me dizer pra ele. Quando era adolescente, escrevi centenas de cartas, toscas, impublicáveis, rasas, tal qual um amor de menina. As queimei quando me encantei no negro de outros olhos, levada até lá pela partida suave dele para outro ponto de vista. Reensaiei o dizer guardado a sete chaves, quando lhe vi plainando em minha vida, me enganando com um sim que insistia em estar longe de mim.
E o guardei novamente. Escrevi novas cartas, publiquei outros contos, reescrevi minhas poesias, armazenei seu olhar, lacei seu dizer, me musiquei em outros carnavais. E ele veio para mim, marcando seu ponto de intensidade por uns dias. Era tão platônico, que me desnorteava. "E foi tão corpo, que foi puro espírito". E ele se foi novamente, perder-se noutros espinhos, ferir-se com outras monotonias, experimentar outras solidões. Ele nada sabe sobre o amor, sabe sobre o sofrer, disso ele é vida.
Não queimei meus dizeres. Guardei-os, prometendo sua publicação para além de mim. Ganhei um beijo intenso, um passeio de mãos dadas, um encontro para depois, promessas mal dizidas, uma raiva desconcertante. Pronto: promessa cumprida! Disse-lhe das minhas ânsias de adolescente, dos esconderijos nas esquinas, da frustração pela negação e pela dor de lhe ver sofrer. Platônico? Não. Amor intocável, maduro, paciente, "ferida que dói e não se sente". Vivi a paciência intensa de lhe ver indo tão longe, para longe, para lá.
Eu nunca lhe tive e ele nunca me teve. Nunca partilhamos sonhos, beijos, cores, músicas, perspectivas. Mas hoje eu preciso ir, não porque não suporto sua ausência, já que ela sempre tive, mas exatamente porque não suporto mais sua ignorância subhumana de se deplorar e se perder diante da vida que ele nunca se permitiu ter.
Eu tenho um amor que pulsa, eu tenho a paz que me leva a sorrir... se ele soubesse o quanto isso é bom, permitia-se uma nova chance se construindo feliz. Porque sua dor dói em mim e eu já estou tempo demais longe de casa, e agora "estou voltando pra casa de vez..."
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Conselho não perguntado
Passei parte da minha adolescência escutando esse clichê, que até bem pouco tempo eu julgava como barato: "a vida é muita curta para não ser vivida". Ressalto que era o clichê, não a exata ideia do que ele correspondia, que eu achava super barato. Sua compreensão e a concepção mudaram de status nesses últimos dias, pois várias emoções me bombardearam, desde atitudes de amigos, passando por vivências pessoais, até escolhas repentinas de pessoas próximas a mim, que aparentemente estão vivendo um inferno pessoal.
A ideia de que a vida é curta é fato. Mas ela só é possível ser vivida intensamente se optarmos ou pelo sim ou pelo não, uma vez que o meio termo nos deixa pela metade, sempre. E estar nessa vida para ser mais ou menos uma coisa, ser feliz mai ou menos, estar satisfeita mais ou menos, é para qualquer um, não para quem sabe quem se é, o que quer e o que pretende levar dessa passagem pela terra.
Por esses e outros tantos motivos que não me rendo a qualquer emoção, mas também não deixo de sentir e dizer o que penso. E por essa mesma razão que detesto me imaginar numa história que fatidicamente vai me roubar fatias de emoções, com goles nada inusitados de ações desnecessárias. Como vivo me repetindo, detesto entrar em um "lugar" e não sair dele renovada. Detesto não degustar de uma boa originalidade e, principalmente, detesto me meter com pessoas bobas, que me fazem sentir mais boba ainda. Essas situações e seus resultados me fazem sentir desnuda diante da vida. E viver a vida é coisa que sei fazer bem.
Não no sentido de curtir, ir a badalações, viver em festas, rodeada de pessoas, mas no sentido de viver minhas escolhas até a última gota. Me declarar, estudar, trabalhar longe, beber, ou seja, pagar os preços. Nenhuma decisão pode partir do nada, pois toda escolha nos leva a algum lugar.
Por isso, antes de pegar um porre, pense na ressaca. Antes de se declarar, pense na cara virada. Antes de querer estudar, pense na abnegação. Antes de fechar um contrato trabalhista, pense nos transtornos. Antes de pedir um beijo, pense no gosto. Antes de casar, pense no ônus. Antes de gritar, pense no ouvido tampado.
Mas saia do quarto, negue o travesseiro, saia do armário, busque um amor que valha à pena, em especial seu amor própro, afinal "a vida é muito curta para não ser vivida".
domingo, 3 de junho de 2012
Retrospectiva de emoções
Dia 16/02/2001, o locutor berrava enlouquecido os nomes dos aprovados no vestibular da UFPA. Não era um dia qualquer: era um domingo de carnaval. Além da festa de quem gosta de curtir a folia, podiamos aproveitar e gritar e espernear uma vitória, a primeira de muitas de quem traz no peito a garra de investir em conhecimento.
Em 2002, começamos a batalha pelo diploma de graduados. Foi uma caminhada louca e sã. Firmei grandes e sinceras amizades na academia, superei obstáculos, pensei em desistir, parei um semestre com a chegada do filho e em 2007 na hora da outorga, tendo minha mãe ao meu lado como paraninfa, virei e partilhei o momento com meu pai, que vibrava feito louco com o ápice dessa primeira grande conquista. Chorei, não acreditando no que havia conquistado, mas tamborilando a materialidade da coisa.
No mesmo ano já emendei o curso de especialização. Nunca na vida tinha estudado com tanto afinco. Madura e com planos já delineados, estava decidida pela busca do meu melhor lugar ao sol. Tirava dez em quase todas as disciplinas e ganhei o reconhecimento e a amizade de grande parte do corpo acdêmico da área de Letras da UFPA. À época da defesa foi um caos, uma vez que quem estaria na minha banca era a bambam em Linguística textual e sua (im)presença me causou o primeiro pânico acadêmico de minha vida. Dois dias antes de defender, tive febre, vômito e dores fortíssimas na costa. Tudo pelo abalo emcoional!
Mas essa etapa também fechei com chave de ouro: passei com excelente e com grandes elogios, quanto a minha atuação acadêmica. "Ela terá uma carreira promissora" professaram a Drª. Iaci Abdon e a Drª. Célia Brito.
Foi o impulso necessário para eu meter a cara no mestrado. No dia 20/12/2010, eis que sai o resultado definitvo do concurso e eu estava garantida na turma 2010-2012 da área de Linguística, da área de concentração em Ensino-Aprendizagem. As discussões foram o suporte necessário para apontar que havia algo de errado com a Educação e com os educadores. Foi um percurso longo, dolorido, exaustivo, mas que valeu à pena para que a 3 dias da consagração, eu pudesse revisitar esses últimos anos de dedicação acadêmica e dizer: valeu à pena!
Meus pais, meu filho, meus irmãos, cunhadas, sobrinhos, tios, primos e amigos (incluo aqui os professores) viveram com uma Aline intensa nesses últimos anos, uma Aline que trafegava entre a angústia e a libertação. Entre o medo e o desejo da vitória. Entre a loucura e a lucidez. Se alguém achava que eu não fosse conseguir pela minha ocilação de humor, precisa compreender, de uma vez por todas, que onde a Aline se inscreve, só lhe interessa sair de lá transformada.
Mas nada disso teria sido possível sem Deus, para renovar minhas forças. Quando exausta antes de dormir, eu lhe pedia "cuida de mim, porque eu não dou mais conta", Ele na manhã seguinte me permitia levantar sem o menor peso na costa.
Quarta, dia 06/06, estarei lá, segurando em Suas mãos, no colo de Nossa Senhora, encerrando mais um ciclo. Estou tensa, mas dará tudo certo, eu creio!!
A todos que sabem o quanto eu caminhei para chegar até aqui: Muito obrigada!!!!
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